Numa teoria filosófica clássica, a base de todas as nossas crenças está na percepção visual. A partir desta, você criava novas idéias e conceitos pela reflexão. Vemos isso em Aristóteles, que defende que um organismo capaz de pensamento racional não exerce tal capacidade caso não tenha tido percepção, e estas sendo imagéticas. Ou nos empiristas, em que os nossos conceitos básicos eram criados a partir da experiência (parece-me claro que seria qualquer tipo de experiência, mas a principal sendo a visual).
Explicando em pormenores: você tem a percepção de algo, uma árvore por exemplo. Cria a imagem na cabeça e após ver várias árvores de vários tipos, percebe certas semelhanças. Essas semelhanças são os critérios do conceito, aquilo que faz um objeto ser uma árvore ou não. Desde o momento que você cria uma imagem na cabeça você já desvincula o conceito da realidade, o que já não concordo. A partir então desses conceitos obtidos pela experiência você cria uma enorme gama de outros conceitos, como coisas inexistentes, por exemplo. Você obtém esses novos conceitos através da inteligência, reflexão.
Mas por que tal consideração não permite a aceitação de compreensão incompleta?
1. Dizer que uma percepção visual não pode ser incompleta parece-nos tolo. Mas será mesmo que eles também o considerariam assim, visto que Descartes ao falar de compreensão incompleta diz que um dos erros pode ter sido por engano dos sentidos?